16 de maio de 2011

Fuji X100

Mudei para a Fuji X100!
A maquineta é tão especial que resolvi aqui deixar as minhas sensações acerca dela.  Nada de técnico, que isso é para outros, os especialistas e consagrados. Na verdade é apenas uma opinião, a minha, com o valor que queiram atribuir!
O primeiro embate é o aspecto exterior da dita cuja.  Entre uma Leica M e uma Contax G1 e com uma semelhança inequívoca da Yashica Electro qualquer coisa, tudo parece ser pensado para retomar o aspecto do botões de controlo em metal, redondinhos e levemente rugosos, suportados por uma mecânica irrepreensível que se mostra por avanços insonoros mas precisos.  Num dos cantos, uma janelinha exibe o local por onde se pode espreitar, em vez da palhaçada de andar com a máquina a dois palmos do nariz a olhar para um visor sempre ridiculamente pequeno.  Neste caso não.  A malta quando encosta o olho à janelinha descobre que é possível olhar para o mundo preservando os seus valores de escala, luminosidade e não sei mais o quê.  Vê-se o que lá está e não uma sua interpretação pirosa levada a cabo por um algoritmo mais ou menos sofisticado.
É claro que tudo isto é aparente!  A máquina é digital, não esqueçamos, e embora se apresente travestida de telemétrica-como-deve-ser, não deixa de se apresentar com todos aqueles menus e opções que qualquer digital deve ter.  É o sensor, um já com um tamanhinho utilizável, são os ajustamentos possíveis através de uma daquelas rodinhas/cursor que agora todas as máquinas exibem na sua “tampa” traseira e é o ecrã, grandote onde se pode ver o que se está a fazer às opções.  Nenhum destes atributos nos deixa qualquer dúvida.  É digital!
A lente, quase não se nota, o que para mim é uma vantagem e para muitos será um defeito, que isto de lentes não há como as vistosas, grandalhonas e, sempre que possível com zoom e redução de vibração!  Pior, não tem distância focal variável.  No formato 135 equivale a uma 35mm e é feita pela malta da Fuji, que cá para mim consegue verdadeiras maravilhas quando se põe a fazer lentes.  É claro que muitos dirão que não é grande coisa, tem isto e aquilo e mais aberração daqui e dali.  Para mim a dita serve perfeitamente e cumpre muitíssimo bem o seu papel, com a vantagem de ter o seu próprio obturador, assim tipo Rolleiflex, o que nos dá a liberdade de sincronizar flash a velocidades verdadeiramente excepcionais. Simpática esta característica do obturador mecânico na lente, isto para quem sabe o que é um obturador e o usa!
Na utilização que lhe reservo tem todas as características de vir a ser uma máquina de culto:
- o aspecto geral remete para outras, elas próprias já constituídas culto;
- a lente fixa e sem zoom não facilita a vida a ninguém e muito especialmente aos chamados fotógrafos de rua, com ou sem tradução anglo saxónica ou francófona, que assim são obrigados a estar lá, na rua, digo eu;
- o ecrã traseiro, havendo um visor óptico, não serve para nada a não ser para aquele tique que é espreitar para o dito, depois de tirada uma fotografia e em resultado aparecer o tão habitual: “pá, pérem aí, vou repetir porque não ficou boa”.  E as próximas vão ficando ainda piores porque a malta fotografada, ao perceber que ficou mal, desatou a pensar que seria por causa de cada um deles e vai daí, lá aparecem aquelas expressões de cartaz pindérico de espectáculo do Filipe La Féria (é assim que se escreve?).
Faltam-lhe algumas capacidades, entre elas duas que me parecem essenciais:
- não permitr cartões de mais de 512 MBytes.  É isso mesmo, são mega bytes e não giga bytes! Cá para mim isso de disparar não sei quantos giga bytes tem muito que se lhe diga e vejo por aí muita rapaziada enganada;
- desatar a berrar quando aquilo fica desfocado, asneirento e assim por diante, numa berrata desesperada do tipo: “socorro, socorro este tipo(a) está a violar-me, ai que me obriga a fazer coisas para o prémio daquele banco! Acudam!”.  Não sei, acho que dava jeito, quanto mais não seja a malta ficava logo a saber: “olha! Esta vai direitinha pró tal prémio …”.
Em conclusão: é muito, mas mesmo muito, simpática.  Não substitui uma reflex, mas acho que também não foi para isso que foi criada. Tem o tamanho adequado, não se deixando confundir com um telefone móvel e tem o peso correcto para que se possa segurar de forma consciente e premeditada. 

Acredito que a Fuji encontrou uma boa solução para este segmento, apoiando-se no que de mal anteriormente tinha sido feito.
Daqui para a frente vai acompanhar-me, substituindo a Ricoh GR1v.

3 comentários:

Mealha disse...

Boa. Aqui na Color foi uma loucura. As primeiras 10 que recebemos foram-se em 40 minutos.
Nem chegaram a estar expostas. Depois tive oportunidade de brincar umas horas com uma.

A.C.Vera-Cruz disse...

E o preço, o preço ??

Almanaque Fotográfico disse...

Preço, qual preço!
Uma maquineta destas não tem preço.
Comprei na FNAC no dia do aderente e tive 10% de desconto e como comprei através do site da dita ainda me foi creditado outros 10. Acho que fiz um bom negócio!