16 de fevereiro de 2008

Eu mostro primeiro ...

Vamos lá então a ver se começamos da melhor forma.

Esta fotografia faz parte de um conjunto a que costumo chamar os Quase Nada. Até aqui são todas elas a preto e branco, mas não excluo a possibilidade de apanhar por aí coisas com côr.

Tem um caracter marcadamente gráfico e abstracto, quase sem brancos e negros profundos, numa gama tonal, se calhar, demasiado apertada.

É daquelas que, a meu ver, tanto se expressam bem em analógico como em digital.

As outras Quase Nada que tenho e procuro assentam ou no aspecto gráfico marcado ou no abstracto. A reunião destas duas características parece-me estarem bem marcadas nesta imagem.



21 comentários:

JosePR disse...

Quase nada.... uma porra! Se estivesse a escrever um comentário no Olhares diria fantástica e mais nada, mas aqui tenho que ser mais profundo e que ter muito cuidado com a linguagem, em especial a forma como me exprimo... mas aqui vai!
Ohhhh Almanaque, mas que grande foto, sublime na técnica, na composição... e até não fica nada mal impressa em jacto de tinta.
Parabens

Anónimo disse...

Esta em particular faz-me lembrar o Sumi-e, a pintura japonesa... Muito bem! :)

Fotografia e Tudo o Que Quiserem disse...

Uma imagem de natureza gráfica desordenada a P&B (Vamos ver o que diz o sr Comodoro, pois parece-me ver ali uma tonalidade....Pode ser do meu ecran!) que nos transmite a frieza e dureza do Inverno , que não houve mas que paulatinamente se aproxima do seu fim. A propósito ! São 9h da manhã e, nem há 10 minutos, acabei de ver as primeiras....CHEGARAM AS ANDORINHAS !!

Almanaque Fotográfico disse...

Agradeço em especial a trabalheira de dizer qualquer coisa, no caso, ainda por cima, a dizer bem!

Contudo lembro que a ideia não era exactamente essa. Eu sei que a fotografia está bem!!! (presunção) O que eu gostaria é de estabelecer alguma discussão.
O que poderá estar melhor dentro do tema ?
Mais gama tonal ? E a cores ???

Anónimo disse...

Na minha opinião, o p&b serve muito bem estes temas. Não creio que a cor trouxesse algo de útil. Quanto à gama tonal, a mesma coisa. Gosto de ver estas imagens mais minimalistas contrastadas (temos um bom exemplo no Kenna). Só questiono aquele ramo no canto superior esquerdo; ainda não sei se é importante ou não...

Almanaque Fotográfico disse...

É verdade, mas já vistes as coisas novas do Kenna? Prefiro-o "japonês" em vez de "mont st. michel"!
É claro que só conheço a obra desse camarada inglês através de livros, revistas e monitores de computadores! E mesmo assim dá para o admirar e de certa forma perceber. (eu tinha de dizer isto! hehehe.)
Também não sei se o risco (erva ou reflexo) lá devia estar. Mas como a mãe natureza assim o fez e eu não tinha zoom ou espaço para enquadrar de outra forma, lá ficou o dito cujo.

Anónimo disse...

Sem dúvida, a fase japonesa do Kenna é mais interessante, se bem que na série francesa tem alguns jogos de luz nos edificios que me agradaram. A paisagem japonesa é fantástica, presumo que simplifique a arte fotográfica... :)

Quanto ao ramo, assunto encerrado! Já eu ando a lutar com uma lata de coca-cola e com a minha consciência... mas acho mesmo que a vou photoshopar dali para fora! ;)

Anónimo disse...

Eu gosto assim a P&B, se é para ser minimalista, monocromático, pois claro.
Quanto ao sacana do raminho, também me incomoda que se farta. Já que a coisa é para jacto de tinta, e tem, forçosamente, de passar pelo photoshop ou outro shop qualquer, porque não pegar no carimbozito e "aparar" a fotografia? Olha, se fosse eu, com as traquitanas de 1900 e carqueja, estava bem lixado com o raminho!!!! Aqui, sim, dou a mão à palmatória, o pessoal do megapixel tem uma grande vantagem. Não é que não se conseguisse eliminar a coisa, mesmo em papel de fibra mas, ia dar um trabalhão e, provavelmente um olhito mais treinado topava logo a marosca...

NSD

Almanaque Fotográfico disse...

Finalmente Nanã!
A ideia era exactamente essa: como a coisa é para jacto de tinta, vai daí e toma lá com o photo-seja-o-que-for!
Ora a coisa, para mim, não pode ser encarada dessa maneira. É no fundo aqui que reside a nossa diferença e agora percebo o que queres dizer com o "fácil". Mas não confundamos, o que é então "fácil" pode acabar por ser cedermos à tentação de aparentemente tornarmos a coisa mais, digamos, perfeita ... com relativo pouco trabalho!

Anónimo disse...

Sem dúvida que todas as "facilidades" do digital passam pela atitude do fotógrafo. Afinal, se eu assim entender, posso NÃO manipular, NÃO fazer "undo", NÃO gravar as edições (criando assim obras únicas e irrepetíveis), etc.

A ferramenta/meio permite isso, mas temos sempre a possibilidade de não usufruir dessas funcionalidades...

Almanaque Fotográfico disse...

Claro. Claro. Essa é uma verdade universal e constante. Contudo a minha achega ao comentário do Nanã prende-se mais, não com a possibilidade, mas, com o rótulo de "fácil" atribuído ao digital. Como é aparentemente fácil, faz-se. Este é o entendimento mais comum e na minha opinião não é o mais correcto.
Na verdade não conheço nada que seja assim tão mais fácil numa realidade ou noutra. E aquilo que é fácil num é igualmente fácil no outro processo.
Para além de muitas outras coisas, não podemos confundir isso com o acesso "facilitado" à fotografia que a plataforma digital proporciona. Hoje a fotografia democratizou-se e aquilo que se fazia há 30 ou 40 anos com equipamento caro e pesado e com uma certa dose de creatividade, faz-se actualmente com uma fracção desse peso financeiro e de tempo, e com a mesma dose de creatividade!
E isto tem enormes implicações ...

Anónimo disse...

"Na verdade não conheço nada que seja assim tão mais fácil numa realidade ou noutra. E aquilo que é fácil num é igualmente fácil no outro processo."

Bom, aqui discordo um pouco. Tive alguma (curta) experiência em laboratório, e a componente de impressão não é nada simples. Coisas "directas", tudo bem; agora, fazer máscaras, corrigir zonas, etc, acho que é muito mais simples no Photoshop... Já a captura não será assim tão diferente nos dois mundos.

Agora, a impressão... :/

Almanaque Fotográfico disse...

É claro que depende sempre do que se considera fácil. Para quem nada sabe, ou pouco tempo passou com impressoras, perfis ICC, tipos de tintas, calibração, máscaras de edição e layers de correcção, etc ..., e já passou muito tempo com tinas e tambores de revelação, sabe em pormenor o que compensar na revelação que não foi compensado na exposição, ou porque quer uma zona mais acima ou mais abaixo, ou porque teve de lutar contra a falha de reciprocidade, que fala todos os dias com os graus de papel, que antecipa o resultado da acentuação com ferrocianeto ou que normalmente vira com selénio as suas provas, ...
Bem convenhamos que quando assim é não me admiro nada que não se sinta bem com as soluções digitais. E é claro que mutatis mutante também é verdade!

Anónimo disse...

sim, é fácil esquecermos todo o conhecimento acumulado por detrás de uma edição digital... Claro que tem a sua ciência! :)

Almanaque Fotográfico disse...

E não é só isso!
Quem é conhecedor profundo de uma solução tem tendência a não a abandonar. Se eu sou "digital" acho a laboratório convencional uma arte/ciência/técnica obscura e sen eu "argentico", aí a coisa digital é obscura, difícil, de resultados duvidosos.
Estou convencido que se dedicando tempo e paciência a estas duas vertentes da mesma realidade, pelo menos, mudaremos de opinião acerca da outra vertente.

Anónimo disse...

Fotografia, humor e poesia ...
…a fotografia também passa por aqui, independente da técnica ou com ela dependente!

Um blogue onde os participantes sejam, em exclusivo, fotógrafos a discutir as questões técnicas/teóricas da fotografia dá lugar a quê, abre portas a quem? Estas questões visam, somente, interrogar com o sentido crítico desejável para que o blogue evolua com sustentabilidade e não aborte (eu sei que os blogues não são para todo o sempre como diz o papa) dado que as questões técnicas são, como se sabe, finitas, basta ver os comentários existentes sobre o analógico versus digital… quero com isto dizer que o fotógrafo olha e vê o mundo de um modo e o revela de outro modo distinto da pintura, poesia, romance, cinema, escultura, vídeo, etc., etc. mas existe sempre, sob pena de diletantismo, uma ideia, um código epistemológico, a noção de faber dimensiona tudo isto e o Heidegger ainda mais (vg a Origem da Obra de Arte, O Ser e o Tempo), aliás, este autor escreve em AOOA, “O produto é fabricado como um apetrecho para algo”, “a beleza é um modo como a verdade enquanto desocultação advém”, isto para dizer que a fotografia não pode ser definida como obra de arte, em exclusivo, quando os fotógrafos e/ou os críticos isso afirmam, aliás é a discussão com razão que o Renato Roque (pesquisar no seu blogue) vem tendo com o crítico Ricardo Nicolau, autor do livro, editado por Serralves e distribuído em tempos com o jornal Público, mas ainda à venda, fotografia na arte, que recomendo seja lido para ser criticado e zurzido e para apetrechar os fotógrafos de argumentos que vão para além da técnica e da tecnologia.


Até logo.

Almanaque Fotográfico disse...

Obrigado Jorge Velhote pelo teu contributo. É verdade, temos sempre a tendência para cair no meio de tecnicidades já falidas de interesse.

Voou começar a mostrar uma foto de diversos conhecidos, primeiro, e depois todos. A ideia é olhar e ver, entre outras coisas. A primeira foi a minha e a discussão lá foi pelo técnico ....

Anónimo disse...

Só uma achega: exactamente ontem comprei o livro referido ("Fotografia na Arte"), numa das lojas do Público. Agora irei lê-lo com redobrado interesse ;)

Fotografia e Tudo o Que Quiserem disse...

A coisa promete !! Isto, sem a tal de censura :-)) falada pelo Josepr, promete muito...

Fotografia e Tudo o Que Quiserem disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fotografia e Tudo o Que Quiserem disse...

Afinal, o Engº tinha razão ! Isto sem censura nem tem movimento ! Agitem lá as pedrinhas de gelo....