Esqueci-me, na altura, de acrescentar a minha quase dedicação a meia dúzia de “cenários”.
Eu explico.
Há alguns locais que os tomo como meus e onde volto com a frequência de quem visita uma sua possessão. E, confesso, quantas vezes me senti atraiçoado e ultrapassado porque um desconhecido tinha devassado a intimidade de um dos meus lugares roubando um bocadinho de realidade de forma mais eloquente que a minha.
É a mais pura das verdades! Tenho esta mania que acabo por contrariar tentando encontrar novos pontos de interesse. Curiosamente, com uma frequência que sempre me surpreende, com a armada pronta para a guerra (máquina, tripé, disparador, fotómetro, etc…), dou comigo a pensar nos outros locais, os tais, os meus. A imaginar ângulos e ocasiões que ainda não explorei!
Não sei se isto é normal e se vos acontece também, mas o que é certo é que acabo por aproveitar a primeira oportunidade e volto às minhas possessões experimentando a ideia surgida no outro cenário.
O projecto de fotografia que vos mostro surgiu exactamente assim. A vários milhares de quilómetros do Cabo Raso, onde eu peregrino com elevada veneração e esperança, de volta de um tronco de árvore retorcido pela intempérie e meio escondido na neblina das terras altas, lembrei-me das piteiras em flor e da urgência de as fotografar antes que o seu ciclo de vida as transformasse noutra coisa qualquer.

4 comentários:
Pois é, Sr Engº, acho que todos os que se dedicam à fotografia de paisagem se dedicam também a esse desporto não radical que é o de regressar sempre ao local do crime.
Muitas desilusões mas, também, muitas alegrias estão profundamente ligadas a esses reencontros pois a natureza é tudo menos estática.
Quanto à fotografia, está muito bem, pois claro.
E que céu excelente, para servir de cenário à piteira! Os meus parabéns!
que belo olho o seu! im
O meu caro amigo centra-se demasiadamente nos aspecto oftalmológicos!
O que não deixa de ser interessante e curioso ...
Enviar um comentário