24 de fevereiro de 2010

Desabafo!


Interrompo os “projectos de fotografia” porque preciso de desabafar!
E como até mostro uns quantos postalitos num “blog”, coisa avançada que a tecnologia soube pôr mesmo ao virar de cada uma das nossas esquinas, vai daí, porque não desabafar aqui mesmo?


É que tenho vivido as tormentas políticas mais recentes com uma enorme apreensão. Não me refiro ao que é que o licenciado Sócrates fez, deixou de fazer ou deixou fazer! O dito licenciado é só mais um fotograma de um filme cuja projecção se iniciou com a nossa 3ª República. Bem sei que doutas opiniões recusam a existência de semelhante cardinalidade republicana, mas também sei que, por questões de comodidade de datação, esta designação me convém.
Ultimamente sinto-me aquele bosquimano em cuja cabeça teimavam cair embalagens de refrigerante! Decididamente os deuses devem estar loucos!


É que, meus amigos, estou numa embrulhada do caraças.
Envolvi-me num daqueles esquemas de pirâmide e agora, quero sair e não posso. Receio mesmo que tenha de assistir ao momento em que todo o meu capital, leia-se esforço, irá por água abaixo, o que aliás vem a propósito tendo em conta a acentuada pluviosidade assinalada nos últimos tempos.
Ah pois é, lá caí no canto do vigário. Ou melhor na pirâmide dos vigaristas.

A propósito, sabem como funciona não sabem? A coisa implica prometer mundos e fundos à malta e ir pagando esses mundos e fundos com os fundos de quem espera vir a ganhar mundos e fundos. É claro que não é por acaso que se trata de uma pirâmide: quem se senta naquele bocadinho lá de cima tem uma noção diferente do que são mundos e fundos de quem aguarda, pacientemente, na interminável escadaria que leva até esse bocadinho de topo, quase único! Mas, na esperança de lá chegar, lá vão convencendo outros a entrar. Tudo parece funcionar bem enquanto há malta a entrar, mas quando a coisa pára entorna-se o caldo. Aliás é por isso que os estados e os respectivos governos reservam para esta prática uma moldura penal agravada. Que o diga a Dona Branca e mais recentemente o camarada americano!
O que é estranho é que:
· só se “veja” o esquema quando já não há nada a fazer;
· que a visão seja selectiva ao ponto de a uns mandar para a prisão, e muito bem, e a outros acudir com mais mundos e fundos;
· que o próprio Estado tenha percebido o furo que ali estava e patrocine ele mesmo esse mecanismo. Pelo menos enquanto nasciam muitos e morriam mais, enquanto a malta até estava empregada, ou enquanto chegavam todos os dias mundos e fundos dos nosso vizinhos europeus constituídos em condomínio de luxo, pelo menos enquanto isso durasse as preocupações eram mais do tipo “agora está-me a apetecer é fazer uma auto-estrada porreira ali e acoli”. E o ali e o acoli era o que menos interessava.
Não sei se estão lembrados mas é isto que a prometida mudança de regime entre a 2ª e a 3ª Repúblicas garantia, afirmava e prometia. Na altura, justiça seja feita os mundos e fundos eram cantados de outra forma, mais do tipo: “paz, pão, saúde, educação!”
Nessas promessas de mundos e fundos éramos sempre remetidos para os anteriores 48 anos, negros de desenvolvimento e ausentes de bem estar, para já não falar de liberdade de imprensa (isto hoje deve fazer rir uns quantos).
Bom mesmo era a pirâmide do estado social. Estava tudo garantido a malta ajudava-se uns aos outros, mais ou menos aquilo a que hoje a rapaziada passou a designar por solidariedade, invenção polaca sob o patrocínio da Santa Sé que passou, pirosamente, a fazer parte do léxico da maioria dos pirâmidistas actuais.

O esquema estava montado. De tal forma que quando esticámos os pezitos e na ponta deles, barrados especadamente no portão automático do tal condomínio, fizemos menção de também ali ter uma moradia. Agora éramos iguais entre pares e fomos recebidos de braços abertos.
Em vez de acabarmos com o esquema da pirâmide tornamo-lo global, mais sofisticado, com BackOffice e FrontOffice, com indicadores de qualidade e satisfação, com rankings disto e daquilo, para agora ficarmos a saber que, orgolhosamente, (viram a entrevista do Sr. Primeiro Ministro não viram ?), mesmo não havendo dinheiro para nada, nós (isto do nós arrepia-me) vamos apostar ainda mais na pirâmide, a tal da vigarice. Como? Substituindo a malta que devia entrar mas que já não há em stock, por mundos e fundos que se compram, a um preço exorbitante, a outras pirâmide que estejam aparentemente de melhor saúde.

Orgulhosamente!
E quando deixarem de haver mundos e fundos para comprar, como é que orgulhosamente fazemos?

3 comentários:

Vera de Vilhena disse...

...E QUE DESABAFO! Fujo de esquemas em pirâmide como o Diabo da cruz. Na minha escala insignificante, é claro. Já tive a minha conta. E agora, meu amigo? Que fazer com tal embróglio?
Parabéns pelo texto, digno de coluna de opinião num jornal de qualidade. Vivam os blogs, que nos permitem desabafar (ainda...) ORGOLHOSAMENTE :-)

Nana Sousa Dias disse...

a Liberdade de Imprensa está na prensa,
o Capital está coiso e tal,
a Economia...mia,
a Bolsa não desembolsa
a Saúde falha amiúde,
a Justiça é uma piça,
as Finanças não dão esperanças,
a Educação é uma desilusão,
a Política está raquítica,
a Revolução está sem tesão,
o Trabalho foi pró caralho,
os Ministros são sinistros,
a Soberania tem anemia,
a Cultura está com soltura,
a Defesa está tesa,
os Sindicatos são caricatos,
os Partidos estão divididos,
a Republica deixou de ser pudica,
a Nação está uma confusão,
a Religião já não dá vazão,
Este País é um triste Fado
Bastante Desafinado
Dançando Desengonçado
Conduzido pela Batuta
De um Maestro filho da Puta…

Joao CL disse...

QUERO EMIGRAR!!!!