Não há nada como confessar! É verdade sim senhor, presenciei. Eu, que até gosto de uma discussão à séria, daquelas arrancadas cá de dentro, presenciei da forma mais passíva uma conversa acalorada acerca do "tema" dos temas: pixels ou sais de prata!?!?!
A coisa passou-se a uma distância prudente do balcão onde estava e da animada conversa que, aparentemente, dois amigos travavam apenas chegavam algumas ideias. Mas a discussão era decididamente entre a escolha: ou as formas digitais e mais recentes ou as analógicas e tradicionais!
O tipo do balcão, atencioso como sempre, encolheu repetidamente os ombros num misto de orgulho, no fundo, ali era possível discutir temas daqueles, e de, sem saber o que fazer, como que a dizer que aquilo já não era costume, era mania.
A mim aquela troca de opinião era decididamente um dejá vu, mas mesmo assim não resisti e tentei aprender qualquer coisita, até porque me parecia que os senhores que mediam argumentos eram personalidades respeitáveis.
Ao fim de algum tempo estava pronto a apostar nas formas tradicionais e desistir da escolha do cartão de memória que me preparava para comprar. Que diabo, quem é que precisa de cartões quando ainda tem disponível o Tri X e o D76 e, imagine-se, o Rodinal que está aí, de volta, e cheio de pujança (muito mais caro, mas enfim, como diria a outra, isso agora não interessa nada). Quem precisa de CCD se tem uma Rolleiflex (mesmo com o perigo de revelar "uma enorme ingratidão")? É verdade, estava quase a pender para os sais de prata, quando o modernaço da discussão afirma ao tradicionalista: "... bom, pois é, mas a fotografia não é para se palpar, não serve para se mexer com as mãos! É, antes de mais e de tudo, uma coisa que serve para se ver e, consequentemente causar um, qualquer, efeito a quem vê. Ora, sendo assim, não percebo (dizia ele) qual a diferença entre papel não-sei-quê-tado, uma folha de papel de revista ou de jornal ou mesmo um écran! "
Dito isto, ou melhor, escutado isto, optei por não abandonar a compra do tal cartão de memória. Que coisa, o tipo até tinha razão, embora o outro não deixasse de a ter também!
Dito isto, ou melhor, escutado isto, optei por não abandonar a compra do tal cartão de memória. Que coisa, o tipo até tinha razão, embora o outro não deixasse de a ter também!
Desde então tenho tido uma enorme dificuldade em escolher o meio! E eu sei que é apenas o meio ...
14 comentários:
Eu acho que isto é mais ou menos como o Barry Lindon/Matrix ou as camisas de Algodão/Terylene...ou a Super Bock/Tagus s/ alcoól...ou o Jaguar/Lexus...
Felizmente, ainda não existe uma ASAF (Autoridade para a Segurança da Arte Fotográfica)senão, éramos todos obrigados a andar com uma 8Mp(pelo menos!) no bolso...custos da democracia...
Curiosamente, vejo mais pessoas a perguntar "porque é que não fotografas com digital?" do que "porque é que não fotografas com analógico?"...
Será que uns estão a tentar puxar outros para baixo, ou serão os outros que estarão a tentar puxar uns para cima? E quem são uns e quem são outros?
Depois de muita converseta, que tenho ouvido, desde 2001, o que é um facto, é que quase toda a gente que tem máquinas analógicas também tem uma ou duas digitais!
Eu uso as digitais para fotografias que são importantes para os outros e analógicas para fotografias que são importantes para mim...é um direito que me assiste e ninguém tem nada a ver com isso! ;-)
É uma das coisas que admiro em ti - pragmatismo qb.: para os outros toma lá com digital, para ti próprio é o filme tradicional.
Resta então fazer uma análise mais profunda acerca disso mesmo: para os outros vs para ti !!!!
Obrigado por me visitares.
Eu explico:
Para trabalho comercial, vai digital, o pessoal hoje em dia tem muita pressa e gosta de saber que os técnicos utilizam ferramentas de
vanguarda, logo, eu agradeço, sai-me mais barato, mais rápido, tem
auto-tudo e não é preciso pensar muito (a gente depois resolve no
photoshop)...
Para as coisas de que eu realmente gosto, é analógico, sem dúvida e,
quanto maior o negativo, melhor.
Mas, tenho alguns amigos que apreciam, logo, não é só para mim...
De qq modo, admito que é muito mais fácil e rápido obter um bom
resultado com o digital do que com o analógico, talvez isso tenha
algum peso no abandono do analógico, por parte de muitos fotógrafos,
tanto amadores como profissionais.
Por outro lado, para mim, a fotografia é palpável e a visualização de
"fotografias" no monitor não é mais do que uma representação, através
de uma imagem retroiluminada, de uma suposta fotografia, que pouco ou
nada tem a ver com aquilo de que eu realmente gosto. É como estar a
ver um quadro do Dali representado numa revista A4. Se o quadro
original tem 3mx5m, o resultado da visualização não pode ser o mesmo.
Talvez o facto de, depois dos Workshop de Paisagem que dou, muitos dos
participantes irem a correr para o ebay comprar máquinas de médio e
até grande formato, tenha um pouco a ver com a visualização "live" das
ampliações em laboratório tradicional.
Bom, de qq modo, o que interessa mesmo é que me dá imenso gozo ver
sair do "forno" as tais ampliações em papel baritado, brilhante, pois
claro. Talvez até me dê mais gozo porque até a coisa sair bem é
preciso trabalhar e muito e quando o esforço é grande, dá a sensação
de que a recompensa é maior.
Na fotografia Fine Art, não cabe na cabeça de um fotógrafo entregar o
negativo a um técnico para este o ampliar, o próprio fotógrafo é que
amplia os seus negativos. Até se conseguir bons resultados, o caminho
é longo e difícil. Muitos fotógrafos não apreciam o trabalho de
laboratório mas, gostariam de controlar todo o processo, desde o
registo da imagem até à passagem a papel. Há muita gente nestas
condições, umas por não apreciarem o laboratório, outras por
dificuldades que se prendem com falta de espaço, etc.
Percebo que estas pessoas tenham aderido rapidamente à fotografia digital.
Deixa-me citar: "De qq modo,admito que é muito mais fácil e rápido obter um bom resultado com o digital do que com o analógico, talvez isso tenha
algum peso no abandono do analógico, por parte de muitos fotógrafos,tanto amadores como profissionais."
Ó Nanã! Não achas que deves considerar que nada há de fácil, ou mais fácil, quando se trabalha em digital. Não me venhas dizer que por não haver água, mau cheiro e hidroquinona a coisa é mais fácil e ainda por cima sem ser às escuras!
O problema não está na facilidade. O centro do alvo não é aí ....
Eu nunca vi nada do Salvador Dali ao vivo. Nunca senti a escala avassaladora de algumas telas dele. Porém não deixo de o conhecer e de me impressionar com o respectivo trabalho. Tenho visto muita tela de muito metro, com tintas a sério, que nada me dizem. E duvido que digam seja o que for seja a quem for. Ou seja não é decididamente o meio que diz seja o que for, é o que é que toca ou não toca!
Apenas um breve comentário: eu tive a felicidade de ver os trabalhos do Nanã ao vivo, na minha mão. A observação dos mesmos num écran de computador não os mostra em METADE da sua "glória". Se apenas o conhecesse "virtualmente", para mim seria apenas mais um...
Isto parece-me evidente: um écran de computador tem tipicamente 72 (ou um pouco mais) pontos por polegada. Uma qualquer impressão digital terá (recomenda-se!) 300 pontos por polegada. Não sei os valores para uma impressão "clássica", mas decerto será também elevada. Quero com isto dizer que fotografias vistas num monitor não têm nada a ver com a "realidade" em papel, seja a impressão digital ou em laboratório. Ah, e recordemos que o jpg que vemos no monitor está limitado a 256 níveis de cinzento (falando do p&b)!!
Quanto à questão do digital vs filme, bom, deixo a minha ideia: mudei-me da captura digital para a de filme, por achar que a gama dinâmica e a resolução acrescida melhoravam consideravelmente os meus resultados. A gama dinâmica do filme p&b é cerca de 2 f-stops maior que a das máquinas digitais vulgares (comparo com a minha Canon 30D). Quanto à resolução, nem se fala! A minha 30D tem 8Mp, enquanto que a digitalização dos meus negativos 6x4.5 acaba em cerca de 30Mp. Sem dúvida que a captura digital tem melhorado, e chegará lá. Quando existir uma máquina digital de mais de 20Mp, com 11 f-stops de gama dinâmica, e que com uma lente que resolva pelo menos 100 linhas por mm custe menos de 1500Eur, estarei de volta! Até lá, não vejo porquê voltar.
Já a impressão faço em digital. Pq? Bom, falta de espaço para um lab, falta de tempo e falta de paciência. Não por ser melhor, mas porque é o processo que melhor se adequa à minha vida e maneira de ser. Mais uma vez, basta-me olhar para as impressões do Nanã para compreender "o meu lugar"...
Peço desculpa pela "redacção", mas quiz deixar o meu testemunho...
Fernando,
Se gostasses mesmo de pintura e de Salvador Dali, já tinhas ido ver os quadros dele ao vivo, alguns não estão assim tão longe de Lisboa.
Talvez o problema passe, também, por aí. É preciso gostar...
Uma coisa é ver a fotografia que ganhou o World Press Photo, essa pode ser vista no monitor, no diário de notícias ou na exposição do CCB. É fotojornalismo, claro.
Outra coisa é ver provas de contacto de 20x25 do Brett Weston, por exemplo, ou do pai dele, pois ambos eram fotógrafos completos e acérrimos defensores da Fine Art. A componente impressão, neste caso é extremamente importante e, tal como conheço algumas pessoas que nunca foram a NY ou à Islandia mas, já foram a Roma, Madrid, Paris, etc, porque são apreciadores de pintura e precisavam ver ao vivo as telas, também eu sou mesmo apreciador de fotografia fine art logo, ver as fotografias do Edward Weston, ou doutro qualquer do género, no monitor, é "curto".
Quanto ao Salvador e às telas, também já vi muita tela a metro que não me impressionou, o problema não é esse, o problema é que já vi algumas das boas e fiquei impressionado, muito impressionado, mesmo. É por isso que, quando vejo as mesmas telas no monitor fico um pouco "desmoralizado".
De qq modo, muitas das que me impressionaram mesmo, não estão muito longe, no museu do Prado, em Madrid ou, a 2 horas de avião, no Louvre.
Claro que, neste campo, os pintores, ficam muito mais prejudicados com a diferença entre monitor/original do que os fotógrafos.
Nanã Sousa Dias
Caros amigos,
Esta visto que isto nao é defeito mas feitio!
Em vez de continuar com este conversa que quanto a mim nao vai resolver o assunto.
proponho o seguinte:
Começarem os dois a preparar uns roteiros fotograficos com petisco incluido claro, afim de quando eu chegar no mes de Agosto nao se perder tempo.
E talvez seja uma boa ideia comecar mos a por umas fotos neste ponto de encontro.
Sejam elas feitas em analogico ou em digital, o que conta é haver fotos.
Um abraço
Luis
Eu só uso digital, não tenho paciência para o analógico, mas admiro e gosto muito do trabalho do Nana.
No entanto tal como noutras forma de expressão artistica o que interessa é o resultado final e não a técnica utilizada (colagens, óleo, acrílico, pincél, brocha...).
Será que o trabalho do Nana é melhor que o meu do ponto de vista artístico, só porque ele usa analógico?
Fine Art??? Será que o nosso trabalho só é fotografia com letra grande (arte) quando se utilizam conceitos e técnicas de há 100 anos?
Numa pequena analogia com a pintura,pergunto: Então os impressionistas que quebraram todas as regras não são artistas? Não fizeram obras de arte?
Sei que tenho muito a aprender com todos os membros deste blog. Já aprendi muito com o Fernando e gosto imenso de fazer passeios fotográficos com ele, não só pelo que aprendo, pelas fotos que faço, pelos jantares, mas acima de tudo pela excelente convivência com o Fernando.
Gostava de fazer mais passeios e mais encontros e atrevo-me a sugerir que nos encontros sejam submetidas algumas fotos para apreciação e comentário.
Fica a sugestão.
José, embora não esteja de acordo com o modo como colocas as questões, parece-me haver na realidade alguma coisa a dizer quanto ao teu comentário.
Na verdade também me parece que muitas vezes nos preocupamos demais com o parecer do que com o ser!
Tomemos aquela fotografia do Cartier-Bresson com as figuras humanas recortadas contra o caos de uma cidade destruida e em chamas e, sem querer, colocamos lado a lado com o contacto do Edward Weston em 20x25 daquele nú na areia.
Bom, já que estão lado a lado, vale a pena perguntar: só a do Weston é que é fine art? Humm, não me parece!
Mesmo ignorando a tal fotografia do HCB, e se estivermos a ver a foto do Weston neste mesmo écran? E se a olharmos numa revista? E se for uma ampliação, digamos 60x70?
Deixa de ser fine art?
Hummm, não me parece!
O que acontece é que qualquer destas fotos É, independente do que PARECE!
Para o comum dos mortais, ainda bem que se podem ver no écran e em publicações. Aliás se assim não fosse para que servia o trabalho destes autores/artistas?
Pois, esta é uma questão que irá alimentar ainda muita tinta e muitos pixeis (a formar letras) nos próximos tempos. Na minha opinião há uma série de factores que são relevantes mas que, ainda que escrutinados, resultam no seguinte: a cada um aquilo que melhor lhe servir para que melhor atinja os seus objectivos.
Se eu for um fotojornalista no Afeganistão que sabe que irá imprimir numa revista num máximo de 30 cm de lado maior e que me dá imenso jeito fotografar e enviar de imediato a fotografia para a redação a milhares de kilómetros, para que quererei eu uma médio ou grande formato e negativos?
Por outro lado, se eu for um paisagista com muito tempo disponível para fazer 'a' imagem, imagem essa que eventualmente poderá ser objecto de uma grande ampliação, quererei eu uma nikon xxD?...
O problema poderá existir se o fotógrafo não estiver bem informado, e escolher o material que não se coaduna com o seu género de trabalho. E, convenhamos, a publicidade ao material digital é tudo menos honesta! Lembram-se das primeiras máquinas que se premia o disparador e ela disparava uns segundos depois? Alguma vez se viu uma frase do género: "Revolução no mundo da fotografia! Dispare agora e capte a imagem segundos mais tarde! Experimente a emoção do acaso!" Até talvez enganasse uns quantos, mas não enganaria todos os que levassem a coisa um pouco mais a sério...
Por outro lado, e continuando a fazer de advogado do diabo (uso exclusivamente material analógico na captação das minhas imagens), a coisa continua a dar passos de gigante na direcção certa. Já há máquinas de pequeno formato na casa dos 20Mp, coisa reservada às caríssimas médio formato digitais, e vi há pouco uma exposição de um colega músico e fotógrafo (o Rodrigo Amado, na KGaleria), que utiliza uma maquineta dessas e expôs grandes ampliações de grande qualidade técnica, estética e conceptual! Ou seja, estou de acordo por um lado que a Arte não existe só no baritado, mas por outro, que o resultado que conta, para mim, é a ampliação ou o trabalho final e não a sua reprodução num monitor, por melhor que este seja.
E, para não me alongar muito mais numa conversa que tem sempre pano para mangas, acrescento uma curta nota sobre os Dalis, e sugerir-vos uma visita (e em especial ao Fernando Correia :))) a Figueres, mesmo ao lado de Barcelona. Aí não se observa a obra de Dali. Aí VIVE-SE a obra de Dali, pois foi aí que ele passou grande parte da sua vida e onde acabou por estabelecer o seu Museu, depois de procurar por quase toda a Europa, pelo local ideal para colocar a sua colecção e a maior amostra do seu trabalho reunida permanentemente. Aí podemos observar (a começar pelo próprio edifício, um cinema que estava prestes a ser demolido, e ele próprio objecto de intervenções fantásticas pelo famoso pintor), desenhos, objectos, instalações, estátuas e, claro está, muitas das suas mais famosas telas. Em tamanho real, ao vivo e a cores :)
Toma e embrulha!
Vamos lá então a comprar o bilhetinho em low cost e, pimba, Barcelona, ou por lá perto, com ele!
O problema é que ficam a faltar uma data deles .... pelo sim, pelo não, ainda bem que vão existindo écrans, com os tais 72 pontos, para a malta se ir alimentando deste transgénico cultural!
Obrigado Manuel Luis, a tua opinião, como não poderia deixar de ser, é equilibrada e correcta.
Eu alinho nessa de levar as fotografias para os encontros, podemos começar já no dia 21!
Agarrem no melhor que têm em jacto de tinta/papel baritado e vamos ver se chegamos a uma conclusão.
Nada como ver as coisas bem longe do monitor! ;-)
Boa.
No próximo dia 21 levo uma coisa feita por mim.
Agora se é jacto de tinta, papel baritado, piezografia, goma, alto contraste, rx, ou seja lá o que for, só quando lá chegar é que eu digo e mostro!
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