12 de março de 2010

Banha da Cobra, Piroseiras e LOMOS ou "Uma Historinha Lomográfica..."

Agora dei em embirrar com o meu amigo Nanã Sousa Dias, não há desabafo que não dê de caras com ele. Pior, decidi copiar-lhe o titulo de um texto inspirado e inspirador (basta "clicar" no titulo para lá irmos parar).
Desculpa Nanã, mas isto são coisas de velho.
É que concordando e partilhando da ideia não posso deixar de chamar a atenção para a enorme injustiça praticada contra a LOMO!  Primeiro e antes de mais pelos lomógrafos e depois por todos nós que, demasiadamente rápido, generalizamos as nossas verdades.
A LOMO foi fundada em 1914 e produziu dos melhores e mais bem feitos equipamentos ópticos entre os quais em 1930 uma máquina fotográfica e logo em 1933 uma máquina de cinema (ainda há pouco tempo tive uma destas na mão, numa visita ao Peixoto), para além de uma notável série de microscópios.  Quando eu nasci e exactamente duas semanas depois tu, a LOMO arrecadava o grande prémio e a medalha de ouro na Feira Mundial de Bruxelas, aquela do átomo!
Foi preciso já sermos crescidinhos (1983) para a LOMO decidir imitar a Cosina e lançar a sua versão desta maquineta, que eu não me importava nada de ter na meia dúzia de máquinas que tenho.  

Vamos agora à parte problemática. A “lomografia” e adeptos.
Lomography é uma marca registada/comercial de Lomoggraphische AG, empresa austríaca que tomou a sua designação da câmara original Lomo LC-A, feita na Rússia (URSS) pela LOMO.  A coisa foi criada por uns quantos “turistas” que em Praga decidiram comprar estas máquinas e fotografar com elas.
A filosofia “curiosa” da lomografia pode ser descrita pela frase: If “Walk, Don’t Run” is for Camper, “Don’t Think, Just Shoot” is for lomography.  O que na verdade diz tudo acerca do espírito dos lomógrafos encartados.  Qual pensar qual caraças, bora mas é disparar!
E é exactamente aqui que está o busílis. 
Paulatinamente, de mansinho, sem se notar, os lomógrafos têm vindo a apoderar-se de tudo quanto é meio tradicional de produção de imagens fotográficas.
Assustado, reconheço muitas vezes lomógrafos já equipados com Nikon F, Canon A, Leicas, Rolleis e mesmo Hasselblads, coisas já antigas, nostálgicas, passadas de moda.  A velhinha Lomo LC-A vai assim passando à história e a lomografia adapta-se, moderniza-se mas continua, pelo menos até agora, sempre, com o característico cheiro a bosta, que tão bem caracterizas no teu texto, o que é o menos, atendendo ao resultado.
Aproveito para chamar a atenção de todos que tenham paciência para ler estes desabafos, que hoje, infelizmente, já não se encontram lomógrafos apenas entre aqueles que tão bem descreves.  Nada disso, a espécie evoluiu não só no equipamento como também no aspecto. Tenho-os visto por aí, acenando nos seus cabriolet, partilhando o croquete da inauguração com namoradas com tudo menos botas da tropa nos seus mimosos pézinhos ou carqueja a espreitar curiosa de uns sovacos, agora, impecavelmente libertos de qualquer pilosidade graças aos raios laser e afins!
A piada de tudo isto é que são justamente estes alguns dos que se barricam atrás do travo analógico da fotografia, desdenhando tudo quanto são pixeis e similares.
Por enquanto.  Se calhar!

Desculpa lá, mas isto é coisa de velho, já sem trambelhos.

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